UBSs registram aumento de 14,16% nos atendimentos

Publicado em 13/07/2020 às 13:57

UBSs registram aumento de 14,16% nos atendimentos

Os efeitos da pandemia do coronavírus SARS-CoV-2 não estão sendo sentidos exclusivamente na economia e nas urgências de saúde. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs), como porta de entrada da rede pública têm sentido, na prática, os efeitos da disseminação dos casos de covid-19. Nas seis UBSs do município de Conde houve um aumento de 217 atendimentos no mês de abril de 2020 em relação ao mesmo período de 2019, o que representa um acréscimo de 14,16%, segundo dados do Departamento da Atenção Básica, vinculado à Secretaria de Saúde da Prefeitura de Conde. Por conta desse acréscimo, a Prefeitura de Conde se inscreveu no programa federal ‘O Brasil Conta Comigo Acadêmico’” e, desde 15 de junho, está contando com seis alunos do curso de Medicina, que auxiliam os médicos nos atendimentos diários de forma presencial nas UBSs ou remota pelo Disque Coronavírus.

O número dos atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) já tinha sofrido acréscimo em abril em relação ao mês de janeiro deste ano, devido à mudança da estação e de temperatura. Enquanto em janeiro deste ano os casos de atendimentos chegavam a 1.005, esse número passou para 1.914 em abril, com a chegada do outono e temperaturas mais amenas.

Em comparativo com o ano de 2019, os dados de abril de 2020 representam um acréscimo de 14,16%. Se em abril do ano passado os atendimentos somaram 1.643, no mesmo período desse 2020 os registros sofreram um aumento de 271 consultas, totalizando 1.914 atendimentos na rede de atenção básica do município de Conde. Os dados contemplam os atendimentos nas UBSs do Centro, Pousada, Conceição, Mata da Chica, Jacumã e Carapibus.

Em média, são de 20 a 40 atendimentos diários em cada uma das unidades de atenção básica e a principal demanda, segundo a chefe do Departamento da Atenção Básica, Iara Rodrigues, tem sido as de síndrome gripal relacionadas à covid-19. “As demandas variam muito de uma UBS para as demais por serem territórios distintos, no entanto, a principal demanda tem sido realmente a covid-19. Entre os usuários que chegam tem desde criança com meses de vida até senhores com 80 anos ou mais. A presença dos estagiários auxilia nesse processo, reduzindo a sobrecarga dos profissionais porque a pandemia não diminuiu o registro de outras doenças, o que resulta em dupla demanda na atenção básica”, afirmou.

 

Automedicação e dúvidas sobre isolamento são comuns nas UBSs

 

Diante do aumento da procura por atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), as demandas e dúvidas comuns que chegam à porta de entrada dos serviços de saúde se somaram à automedicação para covid-19 e dúvidas quanto ao isolamento social, após ter testado positivo para a doença. Essas são os principais desafios enfrentados pelos profissionais de saúde e os estagiários nas seis UBSs de Conde, segundo a chefe do Departamento da Atenção Básica, Iara Rodrigues.

Alguns até já chegam para o atendimento fazendo uso de medicação sem indicação médica. “Há usuários que vêem na TV o uso da azitromicina e ivermectina e passam a adotar, sem indicação médica e, em algumas situações, até antes mesmo da consulta. A nossa preocupação é porque em alguns casos, nem precisa de medicação, mas isso precisa ser avaliado paciente a paciente pela equipe de saúde e não indicado por outras pessoas em grupos de aplicativos de celular ou vendo na mídia a referência aos medicamentos”, disse.

A outra dificuldade é conscientizar as pessoas a cumprirem o isolamento, mesmo após o teste para covid-19 dar positivo. “Algumas pessoas, mesmo com o resultado de covid não cumprem o isolamento. Não são todos, mas tem uma parte da população que não segue mesmo e esse é um desafio para as esquipes de saúde. Fizemos até um termo de responsabilidade para o paciente assinar, confirmando que recebeu orientações sobre a necessidade do devido isolamento”, ressaltou Iara Rodrigues.

A estagiária e aluna do 11º período de Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas – PB (FCM/JP), Maria Yuska Nathielly Almeida Santos, ressaltou que essa realidade tem sido comum também na UBS Jacumã, onde ela está atuando. “Na realidade, os usuários chegam com muitas dúvidas quanto ao isolamento, quantos dias precisam ficar em casa e o tempo de afastamento do trabalho. Precisamos orientar sobre automedicação também. Muitos chegam tomando medicação por conta própria, o que não é recomendável, inclusive, para a segurança e saúde das pessoas”, acrescentou.

 

Estágio contribui para a formação de alunos de Medicina e desafoga atendimentos

 

O receio de atuar atendendo à população e os riscos de se contaminar com o novo coronavírus acabam por ser atenuados diante da possibilidade de aprendizado durante uma pandemia. Essa é a principal reflexão que a estagiária Maria Yuska faz da atividade. Sem ter participado de visitas domiciliares durante o curso, ela conta que o estágio tem serviço para ampliar horizontes e praticar o que tem aprendido nas aulas. “O estágio me fez ampliar horizontes, sair da minha própria bolha e enxergar as realidades difíceis que nos rodeia. A minha supervisora tem sido brilhante. Me acolheu e tem me ensinado bastante, sempre discutindo todos os casos comigo”, revelou.

Os estagiários atuam de forma presencial, dando suporte aos médicos que atendem nas UBSs de forma presencial, mas o estágio também inclui aprendizados ao lidar com a telemedicina. Todos acompanham ou atendem os pacientes pelo Disque Coronavírus. “As consultas estão sendo, inicialmente, por meio de atendimento remoto, por telefone. Os usuários ligam para o telefone do Disque Coronavírus, nós fazemos o acolhimento e a consulta. Após isso, deixamos agendado o teste rápido para que eles compareçam no dia e horário marcado, de forma a organizar o atendimento presencial”, explicou.

Embora já tenha decidido atuar na pediatria quando se formar, Maria Yuska, ressaltou que o estágio também serve de base para lidar com vários desafios e aprendizados. “É desafiador porque encaramos o vírus frente a frente todos os dias e gratificante porque, ao encarar esse risco, temos a satisfação de cuidar de pacientes muito debilitados, mas, que após dias de tratamento retornam para a consulta com a saúde quase 100% reestabelecida”, reforçou.

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